A Terapia de Grupo

O ser humano é um ser social e desde seu nascimento está inserido em um grupo.

Ao longo de sua vida encontra-se inserido em diversos contextos grupais, bem como a escola, a comunidade, a vizinhança, nos quais vai aprendendo e construindo seus conceitos.

Esse movimento possibilita que o sujeito se conheça e adquira sua autonomia.

Nesse aspecto, a partir das transformações nas relações, com o amadurecimento do sujeito infantil para o mundo adulto, pode surgir, muitas vezes, um adulto rígido e engessado no qual parece ter perdido muitas vezes, habilidades e interesses.

A partir desse movimento, pode surgir a busca por algum tipo de terapia.

A terapia de grupo se configura como um método de fazer terapia. No grupo as pessoas dividem as suas emoções, sentimentos, experiências.

Nesse aspecto cada um expõe seu pensamento e ouve o depoimento uns dos outros.

Na terapia de grupo, a interação entre terapeuta e os membros do grupo se constituem o material com o qual a terapia é conduzida, essas podem ser troca sobre histórias boas ou conflitos que o sujeito revela.

Desse modo, as devoluções vão acontecendo de modo progressivo, à medida que os participantes vão expondo suas opiniões e sentimentos é possível um maior aprofundamento e trocas mais intensas.

A partir dessa ótica, esse estudo visa refletir sobre as práticas em psicoterapia de grupo, dando enfoque na relação estabelecida pelos membros do grupo.

Não tem o objetivo de propiciar respostas prontas para o trabalho, mas, sobretudo, promover uma reflexão sobre essa prática em psicologia.

Como o Grupo se Define?

A definição de grupo, segundo o dicionário e o senso comum é: “1. Conjunto de objetos que se vêem duma vez ou se abrangem no mesmo lance de olhos. 2. Reunião de coisas que formam um todo. 3. Reunião de pessoas. 4. Pequena associação ou reunião de pessoas ligadas para um fim comum” (FERREIRA, 1986, p. 871).

Outra definição que também conceitua grupo de maneira bem ampla é: “Um grupo consiste de duas ou mais pessoas que interagem e partilham objetivos comuns, possuem uma relação estável, são mais ou menos independentes e percebem que fazem de fato parte de um grupo” (RODRIGUES et al, 1999a, p.371).

No entanto, essas definições são bem simples e não abrangem a totalidade daquilo que se deseja elucidar.

Outrossim, existem vários tipos de grupos, e cada um possui características próprias.

Necessitando, assim, de uma definição mais específica. No caso a definição de o que seria um grupo terapêutico.

Para Ribeiro (1994) um grupo terapêutico se caracteriza como:

[…] um grupo de pessoas caracterizado por uma associação ou cooperação face a face. Ele é o resultado de um integração íntima e de certa fusão de individualidades em todo comum, de tal modo que a meta e a finalidade do grupo são a vida em comum, objetivos comuns e um sentido de pertencimento, com um sentimento de simpatia e identidade.

(RIBEIRO, 1994, p. 33)

O grupo terapêutico é um momento único, pois é validado como uma experiência particular na vida de cada pessoa, logo, é um espaço psicológico em que o sujeito exprime pormenores de sua existência, bem como conflitos, dúvidas, medos e alegrias.

Iniciando uma Psicoterapia de Grupo

No início de um grupo terapêutico, geralmente, os membros não se conhecem, o ambiente é novo e todos se reúnem com o objetivo de cuidar de suas questões.

Entretanto, esse é um objetivo um tanto quanto delicado e falar de coisas íntimas e pessoais em um grupo, que mal se conhece pode ser difícil. “A exposição é perigosa, quer seja aos elementos, ao desdém, ou às exigências dos outros” (POLSTER, 2001).

Desse modo, é necessário que o terapeuta explicite a importância de manter todo sigilo e confidencialidade das questões tratadas na psicoterapia, a fim de preservar a identidade de cada sujeito, bem como suas histórias.

Yalom (2006) relata três estágios que o grupo terapêutico passa, mas o próprio autor destaca, que a estruturação desses estágios é um esquema útil dos desenvolvimentos dos grupos, apesar de não ser uma regra para todos os grupos, uma vez que, trata-se de relacionamentos interpessoais, com variáveis imprevisíveis.

Na etapa inicial existe uma preocupação, um desejo dos participantes de se integraram e serem aceitos nesse contexto, é um estágio de orientação e busca por significado.

Na etapa seguinte é uma fase de mais conflitos, rebeldia, em que os membros se preocupam com o status e com o poder que podem ou não exercer dentro do grupo.

Na última etapa é o momento de amadurecimento, em que os membros desse grupo objetivam chegar à coesão, ou seja, transformar o grupo em uma unidade coesa, criativa e consciente da singularidade de cada um.

Segundo Harris (2002), os membros chegam à terapia como eles são, com sua forma de colocar-se no mundo e a sua maneira de experimentar.

Essas características foram sendo aprendidas desde a infância e durante toda a vida e a pessoa passa a utilizá-las nas suas adaptações.

Entretanto, essas adaptações, em um dado momento, foram novidade, foram formas criativas que a pessoa encontrou em uma determinada situação para se adaptar.

Contudo, na medida em que a pessoa utiliza a mesma forma de agir várias e várias vezes, ao invés de buscar novas formas, ela vai cristalizando esse comportamento.

Os Participantes e a Psicoterapia de Grupo

Um aspecto importante na psicoterapia de grupo é a igualdade dos membros.

No caso, todos são tratados de maneira equânime, isto é, todos os membros são vistos deforma igualitária, com respeito e dignidade, independente da idade, da condição sócio-econômica e cultural que esse indivíduo apresenta.

Cada pessoa é uma fonte rica e inesgotável de experiência, tanto para si como para os demais.

Para Bechelli et al (2005), muitos pacientes, ao serem convidados a participar da psicoterapia de grupo, manifestam-se da seguinte forma: “Sou muito tímido; o que irei fazer num grupo se não sei me expressar?” Outros, assim revelam seus receios: “Como posso revelar a estranhos meus problemas… meu relacionamento extraconjugal?” Ou ainda: “Como irei dizer que sou homossexual?” (…) “Como posso confiar em pessoas que não conheço?” (…) “Será que esse grupo é de pessoas do meu nível?” (…) “Poderá um grupo de neuróticos como eu auxiliar a resolver meus problemas?” Já outros ficam logo entusiasmados com o convite e expressam seu desejo de se agregar ao grupo: “Será muito bom!”Ou ainda: “É o tipo de experiência que irá me acrescentar muito” (…)“Será um desafio para mim”. De acordo com a forma de se expressar, presume-se o papel que o participante irá assumir no grupo.

É importante também que os membros do grupo respeitem as propostas e normas estabelecidas, concomitantemente, tenham motivação, a fim de que a psicoterapia de grupo seja algo prioritário em sua vida. Desse modo, a proposta da terapia de grupo poderá funcionar em sua máxima.

O processo de transformação pessoal é complexo e determinado por diversos fatores. Para compreendê-lo conceitualmente, é preciso esquadrinhar suas raízes motivacionais.

Para mudar, o paciente necessita estar predisposto. Essa intenção deve ter origem na própria pessoa e não nos familiares. Estes, muitas vezes, nutrem uma expectativa do que precisa ser mudado.

Mas a natureza da mudança pode diferir entre as duas partes e é o próprio paciente quem irá estabelecê-la.

Por outro lado, necessitará entender e se conscientizar de que o que deve ser alterado não será nas pessoas com quem convive, mas interiormente, e aceitar a responsabilidade pelas suas dificuldades (BECHELLI et al 2005).

Ao longo do processo da psicoterapia, espera-se que ocorra um amadurecido dos participantes do grupo, no sentido de ver o terapeuta como facilitador e não como autoridade.

Nesse momento, quando se estabelece uma relação de ajuda mútua é possível propor intervenções de mudanças se assim o paciente desejar.

Considerações finais

Com base nos estudos revisados, conclui-se que o ser humano se estabelece a partir da relação com os outros.

Assim, na psicoterapia de grupo o paciente descobre que há uma capacidade de lançar mão sobre a possibilidade do desenvolvimento pessoal a partir da troca de experiências, expressividade e flexibilidade que a terapia propõe.

O movimento que a psicoterapia de grupo faz é de fortalecimento das habilidades do sujeito, da sua criatividade, combinando e ressignificando as experiências do passado em novos padrões que venham satisfazer o indivíduo.

No que concerne a essa pesquisa, mostra-se relevante visto que visa entender o funcionamento da psicoterapia de grupo, bem como lidar com o paciente nesse contexto.

Referências

  1. BECHELLI, Luiz Paulo de C. e Santos, Manoel Antônio dos. O paciente na psicoterapia de grupo. Revista Latino-Americana de Enfermagem [online]. 2005, v. 13, n. 1 , pp. 118-125. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0104-11692005000100019. Epub 02 Mar 2005. ISSN 1518-8345. https://doi.org/10.1590/S0104-11692005000100019.
  2. FERREIRA, A.B.de H. Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa -nova edição revista e ampliada. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira 1986.
  3. HARRIS, J.B. How Group Therapy Works. 2002. Disponível em: http://www.123webpages.co.uk/user/index.php?user=mgc&pn=10731
  4. RODRIGUES, A. & JABLONSKY, B. & ASSMAR,E. Psicologia Social. 22ª Edição, Rio de Janeiro : Vozes, 1999.
  5. RIBEIRO, J.P Gestalt-terapia: o processo grupal: uma abordagem fenomenológica da teoria do campo e holística. São Paulo: Summus, 1994.
  6. POLSTER, E. & POLSTER, M. Gestalt-terapia integrada; tradução: Sonia Augusto. São Paulo: Summus, 2001.
  7. YALOM, I.D & YALOM, M.L. Psicoterapia de grupo: teoria e prática; tradução Ronaldo Cataldo Costa. Porto Alegre: Artemed, 2006.

Créditos

Imagem: por Freepik

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