A palavra drama deriva do grego e significa “ação”. Desta forma, entende-se por psicodrama o método de trabalho que se propõe a investigar os fenômenos psicológicos através da ação, isto é, um modelo terapêutico que explora a representação dramática, que possibilita o livre desempenho de papeis e seus vínculos, trabalhando para ampliá-los.

O Psicodrama pode ser definido como uma ciência que busca a verdade por meio de métodos dramáticos e usa a ação como uma forma de investigar a alma humana (MORENO, 1999).

O método foi criado por Jacob Levy Moreno (1889-1974) um psiquiatra romeno que viveu na Áustria e nos Estados Unidos. Assim, essa forma de trabalho surge no teatro de improviso.

No ano de 1925 o psiquiatra fundou o Teatro da espontaneidade, no qual, convidava, ousadamente as pessoas para exporem sua história de forma espontânea.

A principal característica do método é a dramatização. Durante a sessão, esse processo pode ser feito de modo grupal ou individual; o coordenador convida o sujeito a protagonizar uma situação conflituosa e realiza intervenções específicas a fim de aprofundar as relações e vínculos no aqui e agora.

Assim, o psicodrama se constitui uma prática eficaz no tratamento de diversas situações psicológicas, propiciando saúde, mudanças de atitude, transformações, percepção de fenômenos, e desenvolvimento de papeis.

Deste modo, profissionais da área clínica tem se dedicado em estudar e desenvolver o método como conhecimento teórico e prático no manejo do sofrimento humano.

A Origem do Psicodrama

O origem do psicodrama se deu com Jacob Levy Moreno (1889-1974), um psiquiatra romeno, de origem judaica, que estudou Medicina em Viena entre os anos de 1909 a 1917, ano em que completara 28 anos.

Sua paixão pelo teatro vem da infância. Conta-se que gostava de reunir amigos para representar. A adolescência em Viena foi uma fase mais mística de sua vida. Segundo seu biógrafo René F. Marineau, Moreno começou a reunir um grupo de amigos e discípulos à sua volta em 1908. Juntos criaram a religião centrada em criatividade, encontros e anonimato. Ajudavam pobres e refugiados, deixavam crescer a barba e dedicavam um bocado de tempo a discutir questões teológicas e filosóficas (MARINEAU, 1992, p. 41).

Em 1922, Moreno alugou um teatro, propriedade do pai de uma famosa atriz na época, a que dá o nome de Teatro de Espontaneidade. Todas as noites ali se reuniam atores de projeção para representar dramas do cotidiano com intensa participação do público. É quando Moreno começa a desenvolver sua proposta de psicodrama, sociodrama e axiodrama. Ele propõe uma inversão de papéis entre os atores e o público, no qual o público passa a representar seus dramas cotidianos no espaço cênico.

Esse espaço é composto pelo palco, o protagonista ou cliente, um diretor ou terapeuta, egos auxiliares e o público ou platéia. Através do uso de técnicas como a inversão de papéis, o duplo, o espelho, a concretização da imagem de um sentimento, uma emoção, da interpolação de resistência, entre outras, as pessoas desenvolvem uma nova percepção sobre si mesmas, sobre os outros e sobre o ambiente, permitindo o surgimento do novo, da eventualidade, da resposta nova, uma nova linguagem resignificada. Portanto, o espaço cênico é multidimensional, vivencial pois inclui o verbal, o corporal, gestual, a cultura, o jogo, a imaginação, presentificados no momento, ou seja no aqui e agora (MESQUITA, 2000).

Com base nesses dados, Moreno refletiu que há uma relevância e uma intencionalidade na cena, ou seja, possibilitar a criatividade através de uma contextualização com o problema, a partir de uma ação dramática que envolve o olhar do outro, e o olhar sobre si mesmo.

Jacob Levy Moreno

Em 1889 nascia Jacob Levy Moreno, na cidade de Bucareste, na Romênia. Era de origem judaica (sefaradim). Sua família veio da península ibérica e radicou-se na Romênia na época da Inquisição.

Intitulando-se ao longo dos anos, filósofo, médico e psiquiatra, criador do psicodrama e pioneiro no estudo sobre psicoterapia de grupo. Interessou-se pelo Teatro onde, segundo ele, “existiam possibilidades ilimitadas para a investigação da espontaneidade no plano experimental“.

No ano de 1921 criou o Teatro da Espontaneidade, que tinha a ideia de criar uma apresentação espontânea sem decorar falas. Depois de anos trabalhando no hospital, usando o teatro espontaneidade , criou o “Teatro Terapêutico”, que depois se torno o “Psicodrama Terapêutico”.

Em 1931 introduziu o termo Psicoterapia de Grupo e este ficou sendo considerado o ano verdadeiro do início da Psicoterapia de Grupo científica, embora as fundamentações e experiências tenham iniciado em Viena.

Moreno morreu em Beacon, em 1974, aos 85 anos de idade e pediu que em sua sepultura fossem gravadas as seguintes palavras: “Aqui jaz aquele que abriu as portas da Psiquiatria à alegria”.

Técnicas e Recursos Psicodramáticos

De acordo com Moreno (2003, p. 47), “o psicodrama procura, com a colaboração do paciente, transferir a mente “para fora” do indivíduo e objetivá-la dentro de um universo tangível e controlável”. O autor esclarece que é um método de diagnóstico, bem como de tratamento.

Uma de suas características é incluir a representação de papéis, que pode ser aplicada a qualquer tipo de problema, pessoal ou de grupo, crianças ou adultos.

Assim, a capaz de Moreno, entende que o homem é um ser social e precisa pertencer a um grupo para atender suas necessidades básicas, precisa do outro para nascer, ou seja, necessita de uma ajuda externa para se adaptar ao seu novo mundo. Portanto, a utilização de técnicas psicodramáticas, estimulam a criatividade e o desempenho de papeis na sociedade.

Assim, o conceito de papel é extensivo a todas as dimensões da vida. É empregado para abordar a situação do nascimento, perpassando toda a existência no que se refere à experiência individual e também à participação do indivíduo na sociedade.

A teoria dos papéis situa-se no conjunto da teoria moreniana, que sempre se refere ao homem em situação, imerso no social, buscando transformá-lo através da ação (SANTOS, 2008).

Nesse sentido, a teoria psicodramática encontra-se pautada em três pilares básicos, situados como técnicas e recursos terapêuticos: teoria de papéis, teoria da espontaneidade/criatividade e matriz de identidade.

A matriz de identidade é, para seu criador, a placenta social do indivíduo, o lócus onde a criança se insere, proporcionando-lhe segurança, orientação e guiando-a rumo ao desenvolvimento de uma autonomia.

Segundo Moreno (2003), a espontaneidade e a criatividade são recursos inatos, fundamentais para o desenvolvimento saudável do homem. O autor explica que a espontaneidade habilita o indivíduo a superar situações como se carregasse o organismo, estimulando e excitando seus órgãos para modificar suas estruturas, a fim de que possam enfrentar suas novas responsabilidades.

Conforme Naffah Neto (1997), a espontaneidade engendra o indivíduo e a situação como dois pólos de uma mesma unidade: como esforço de auto-superação em função do confronto com a situação presente, ela é, ao mesmo tempo, ação que se lança na própria situação para transformá-la tornando-se então espontaneidade – criativa.

Os vários papéis que os indivíduos podem desempenhar não existem isolados uns dos outros, apresentam semelhanças em suas estruturas e tendem a se aglutinar, formando um conglomerado ou cachos de papéis, os quais mantêm uma relação funcional entre si. Assim, se um papel de autoridade como a relação professor-aluno adquire uma maior dose de espontaneidade, outros papéis do mesmo cacho como patrão-empregado, pai-filho, podem receber uma transferência de espontaneidade e também se transformarem (GONÇALVEZ, WOLFF E ALMEIDA, 1988)

Desse modo, todos os papéis se caracterizam como complementares. Os indivíduos agem a partir de uma série de papéis adquiridos em sua cultura e que o ajudam a desempenhar seu próprio papel. Seu modo de ser e sua identidade decorrem dos papéis que complementa ao longo de sua vivência e de suas experiências, com respostas obtidas na interação social, por papéis que complementam os seus.

A transformação vai ocorrer pela mobilização dos afetos, onde pode colocar para fora suas angústias e exteriorizar suas experiências intrínsecas, pois quando o indivíduo dramatiza uma situação vivida anteriormente, muitas experiências vem à tona, propiciando ao paciente a adequada avaliação da realidade interna e externa.

Conclusão

Portanto, o psicodrama surge como uma ideia inovadora no âmbito da psicologia, a fim de promover um inter-locução entre a ciência psicológica e o teatro.

A partir da dramatização o indivíduo pode expressar livremente seus medos, inquietações, angústias a fim de dar ênfase no conflito e libertar a sua possibilidade criatividade e espontânea para direcionar um novo olhar sobre si mesmo.

Desse modo, esse princípio teórico e prático tem ganhado visibilidade e respaldo para atuar com diversos fenômenos psicológicos, bem como para dar suporte ao sujeito que sofre.

Referências

  1. GONÇALVEZ, C. S.; WOLFF, J. R.; ALMEIDA, W. C. de. Lições de Psicodrama: introdução ao pensamento de J. L. Moreno. 2. ed. São Paulo: Agora, 1988.
  2. MARINEAU, R.F. (1992). Jacob Levy Moreno 1889-1974 – Pai do Psicodrama, da Sociometria e da Psicoterapia de Grupo. São Paulo: Ágora.  
  3. MESQUITA, A. M. O. O psicodrama e as abordagens alternativas ao empirismo lógico como metodologia científica.Psicol. cienc. prof.,  Brasília ,  v. 20, n. 2, June  2000 .   Available from http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932000000200006&lng=en&nrm=iso.
  4. MORENO, J. L. Psicoterapia de Grupo e Psicodrama. São Paulo: Mestre Jou, 1999.
  5. MORENO, J. L. Psicodrama. São Paulo: Cultrix, 2003. NAFFAH NETO, A. Psicodrama: Descolonizando o Imaginário. São Paulo: Plexus, 1997.
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