A Esquizofrenia

A literatura indica que a esquizofrenia é um severo transtorno psíquico do tipo psicótico que pode acometer pessoas das mais variadas idades, culturas e extratos sociais.

Os subtipos da esquizofrenia são definidos com base na sintomatologia predominante e se caracterizam como: esquizofrenia paranóide, esquizofrenia hebefrênica eesquizofrenia catatônica, além das formas atípicas da doença.

O processo de desenvolvimento da esquizofrenia pode ser gradual, lento, e nem mesmo o paciente e a família deste toma conhecimento da evolução do caso. O período entre a normalidade e a doença deflagrada pode levar meses.

Em contrapartida, existem pacientes que desenvolvem rapidamente a esquizofrenia, e em questão de dias ou semanas já apresentam alguma sintomatologia.

Neste artigo vamos explicar a esquizofrenia paranóide, que se caracteriza pela presença de delírios ou alucinações num contexto onde se encontram preservados o funcionamento cognitivo e o afeto.

Nessa perspectiva, os delírios são classificados como persecutórios ou grandiosos, podem se referir a temas religiosos, ciúme ou somatização.

As alucinações também podem estar relacionadas ao conteúdo do tema delirante.

O indivíduo pode apresentar extrema intensidade nos relacionamentos interpessoais, podem apresentar atitude superior e condescendente e uma qualidade afetada e formal.

As causas da esquizofrenia são complexas e multifatoriais, tendo em vista que envolve fatores genéticos, culturais, sociais, ambientais e psicológicas que podem predispor o surgimento de qualquer sintomatologia esquizofrênica.

Critérios para o Diagnóstico da Esquizofrenia Paranóide

O CID-10 (1993) refere-se à esquizofrenia como um transtorno caracterizado, geralmente, por distorções fundamentais e características do pensamento e da percepção, por afeto inadequado ou embotado.

Como vimos, os teóricos criaram uma subdivisão para a esquizofrenia, que pode ser classificada em:

  • paranóide – se caracteriza pela presença de delírios de grandeza ou perseguição;
  • hebefrênica ou desorganizada – caracterizada por ingenuidade emocionalmente e imaturidade;
  • catatônica – onde ocorre alternância entre imobilidade grande agitação.

As pesquisas favorecem essa divisão tendo em visa que facilita o reconhecimento, uma vez que as diferença entre elas são bastante identificáveis.

Para Barlow (2011) as pessoas com esquizofrenia do tipo paranóide se destacam por causa dos delírios ou alucinações que experimentaram; ao mesmo tempo, as aptidões cognitivas e a emotividade permanecem relativamente intactas.

No geral, não apresentam discurso desorganizado ou emotividade e possuem um prognóstico melhor que as pessoas com outras formas de esquizofrenia.

Os Critérios do DSM-V para o diagnóstico do tipo paranóide são dois:

  • A presença de 2 sintomas característicos (delírios, alucinações, fala desorganizada, comportamento desorganizado, sintomas negativos) por um porção significativa de um período de 6 meses (os sintomas devem incluir pelo menos um dos 3 primeiros)
  • Sinais prodrômicos ou atenuados da enfermidade com prejuízos sociais, ocupacionais ou de cuidados pessoais devem ficar evidentes por período de 6 meses, incluindo 1 mês de sintomas ativos

Sintomatologia da Esquizofrenia Paranóide

Paim (1990), denomina esquizofrenia paranóide o tipo clínico da enfermidade que se caracteriza pela predominância de delírios a alucinações.

À medida que a enfermidade progride, o doente se integra em seu mundo delirante e alucinatório, afastando-se cada vez mais da realidade, da qual retira apenas aqueles elementos que contribuem para fortalecer a sua convicção delirante.

Em toda a sua evolução, não se observam alterações profundas da personalidade, como ocorre habitualmente nos outros subtipos de esquizofrenia.

A sintomatologia da esquizofrenia paranóide perpassa pelo campo dos delírios, vivencias de influências corporais que se instalam como sensações corporais desagradáveis.

Os delírios, em sua maioria são sempre de cunho persecutórios ou grandiosos.

Conforme Dalgalarrondo (2008), além do empobrecimento global da vida psíquica e social do indivíduo, o paciente esquizofrênico vivencia a perda do controle sobre si mesmo, ao sentir que algo é imposto de fora.

Perspectivas de Tratamento da Esquizofrenia Paranóide

Considera-se que um tratamento efetivo de transtornos desse nível deve ser adequado a cada sujeito de modo particular, a fim de atender sua demanda e propor uma redução em seu sofrimento psíquico.

Desse modo, pode ser indicada a utilização de fármacos antipsicóticos, bem como de tratamento psicoterapêutico.

Zanini (2000), coloca que a psicoterapia tem se mostrado um importante recurso terapêutico, associado ao tratamento farmacológico, na recuperação e reabilitação de pacientes esquizofrênicos.

A psicoterapia nestes casos deve ter como objetivos: oferecer informações sobre a doença e modos de lidar com ela, oferecer continência e suporte, restabelecer o contato com a realidade, identificar fatores estressores e instrumentalizar o paciente a lidar com os eventos da vida, conquista de maior autonomia e independência, diminuição do isolamento, etc.

Assim, é fundamental uma avaliação e diagnóstico eficiente a fim de caracterizar se o paciente é adequado para psicoterapia e qual tipo de intervenção deve ser utilizada com maior precisão.

De acordo com Shirakawa (2000), o tratamento medicamentoso é indispensável e dependendo do caso e da sintomatologia manifesta a internação deve ser cogitada.

Segundo o autor esta decisão é tomada quando não houver suporte familiar e a crise for muito intensa e representar risco para o paciente e seus familiares.

A internação deve ser a mais curta possível e manejada para buscar a dose ideal do antipsicótico e para aprofundar o vínculo com o paciente.

As intervenções psicossociais, a psicoterapia de grupo e a proposta de reabilitação e reinserção desses indivíduos na sociedade são estratégias de manejo e tratamento do sujeito com esquizofrenia propostas pelas instituições, bem como pelo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) que elabora um plano terapêutico individual para cada caso com a proposta de reduzir a sintomatologia apresentada.

Considerações finais

Compreende-se que a esquizofrenia pode acometer várias pessoas em diversos contextos sócio-culturais.

O diagnóstico da esquizofrenia envolve identificar uma série de sintomas que geram prejuízos diversos na vida do sujeito, porém, de acordo com a literatura, a esquizofrenia paranóide possui certa preservação do funcionamento afetivo e cognitivo, o que ajuda em seu prognóstico em relação aos outros subtipos.

Referências

  1. AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION – APA. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. Porto Alegre: Artmed, 2014.
  2. CID-10, Classificação de Transtornos Mentais e de comportamento da CID-10. Descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. Porto Alegre: Artmed, 1993.
  3. BARLOW, D.H. Psicopatologia:uma abordagem integrada / David.H.Barlow, Mark R.Durand;
  4. DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2008.
  5. PAIM, Isaías. Esquizofrenia. São Paulo: EPU, 1990.
  6. SHIRAKAWA, Itiro. Aspectos gerais do manejo do tratamento de pacientes com esquizofrenia. Rev. Bras. Psiquiatr. 22 (Supl I): 56-8. São Paulo: 2000. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1516-44462000000500019
  7. TAMMINGA, Carol. Esquizofrenia. Manual MDS.[S. l]: 2020. Disponível em: https://msdmanuals.com/pt-br/profissional/transtornos-psiquiátricos/esquizofrenia-e-transtornos-relacionados/esquizofrenia
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